terça-feira, 30 de setembro de 2008

Candidatos transformam hospitais em palanque




O fim das obras do hospital municipal e o fechamento da Santa Casa aquece campanha


Faltando seis dias para o fim do horário eleitoral, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas à prefeitura de Foz do Iguaçu, afiam o discurso e trazem para o eleitor, por meio da televisão, o que consideram palanque para vencer o pleito de cinco de outubro.
Na fronteira, fora os assuntos: emprego e moradia, a saúde tem sido o alvo principal dos dois postulantes ao executivo: o atual prefeito Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), e o ex-prefeito Sâmis da Silva (PMDB). Concorrem a prefeitura também os candidatos Reni Pereira (PPS) e Dilto Vitorassi (PT). O quinto candidato foi suspenso pelo TRE por “ter exacerbado a verdade”.
Na edição de ontem, reservada para os concorrentes a prefeito o fechamento da Santa Casa — o hospital mais antigo da cidade — e o término das obras do Hospital Municipal — o mais novo do município, ganhou novo tom na “fala” de cada candidato. Fora a promessa de executar projetos para atender ao morador “mais carente e que não pode ter acesso ao serviço privado”, sem exceção, os dois trocaram farpas.
Junto com “provas” apresentadas por segundos no vídeo e de procedência não clara para quem estava assistindo aos programas, o candidato a reeleição, Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), disse: “estão querendo dizer que fui eu que fechei a Santa Casa. Essa barbaridade que o ex-prefeito Sâmis deixou com mais de R$ 180 milhões em dívidas”.
Em sua defesa Mac Donald mostrou que ao assumir em 2005 recebeu do Governo do Estado o documento onde descrevia a situação do então hospital. No mesmo relatório o parecer da Procuradoria Estadual da União, de que: “o hospital não tinha mais condições de segurança no campo da higiene”. “A procuradoria disse que era um risco para a saúde, imagina uma infecção. Aí iriam dizer que o Paulo deixou o hospital aberto para matar”.
Parecendo abalado com a constatação, o atual prefeito disse ter não apenas evitado uma tragédia, mas feito “pela cidade o que ninguém fez na história de Foz do Iguaçu”. “Eu construí um hospital que todos falavam mal e agora dizem que querem concluir a obra. Se não fosse bom, eles iam dizer que iriam fechar. É isso que você tem que analisar eleitor quando foi votar no dia cinco”, arrematou ao final do tempo, deixando um espaço para que imagens reforçassem seu apelo.
Precedido pelo adversário, o ex-prefeito de Foz, Sâmis da Silva (PMDB), este atacou com as mesmas aramas: apresentou documentos onde dizia: “O hospital Santa Casa passa a partir desta data a ser de responsabilidade integral do Município”. Com o documento na mão, Silva, reforça: “vejam a data, a decisão do Ministério Público Estadual foi tomada em 2003, eu deixei a prefeitura no dia primeiro de janeiro de 2005, com o hospital funcionando”.
Imagens de arquivo mostravam cenas da rotina de um hospital. O candidato retorna e diz: “Agora vocês irão ver como o Paulo estão administrando a saúde de Foz”. Entraram cenas mostrando o reflexo da Unidade fechada há mais de quatro anos. São rachaduras, infiltrações e mato, elementos que reforçam o abandono.
Junto com o apelo, a produção apresentou uma mulher que havia dado a luz a uma menina, o último parto feito pela Unidade. “Hoje a minha filha diz: mãe onde eu nasci e eu tenho de dizer que esse lugar não existe mais”, a câmera fecha em close nos olhos com lágrimas.
Silva retorna e diz: “Imagina se o Paulo não conseguiu manter uma hospital aberto, como ele diz que vai construir outro, por que esse que ele chama de Hospital Municipal, tá longe se ser um hospital. Ao assumir vou fazer uma sindicância avaliar a situação e ai sim, eu farei o hospital que essa cidade merece”.

Um comentário:

Fabiane Colling disse...

Se, pelo menos, as propostas saíssem dos palanques, beleza eles utilizarem..

mas nada é feito de muito satisfatório

e não só na saúde, mas em tudo.